Cantor foi preso no Rio em operação que investiga movimentações ilícitas superiores a R$ 1,6 bilhão, com uso de criptoativos e transações clandestinas
MC Poze do Rodo foi preso nesta quarta-feira (15) pela Polícia Federal em investigação sobre movimentação ilícita de valores que ultrapassou R$ 1,6 bilhão. O cantor é alvo da Operação Narcofluxo, que desarticulou uma rede de lavagem de dinheiro envolvendo criptoativos e transações clandestinas no Brasil e exterior.
Os agentes federais cumpriram a prisão na casa do MC, em condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, zona sudoeste do Rio de Janeiro. A operação, que envolveu cerca de 200 policiais federais, resultou em 39 mandados de prisão temporária e 45 buscas e apreensões distribuídas por oito estados e no Distrito Federal.
O tamanho da investigação revela a sofisticação da organização criminosa desarticulada. A rede utilizava um sistema complexo para dissimular valores, incluindo transporte de dinheiro em espécie, operações financeiras de alto valor e transações com criptoativos. Segundo a Polícia Federal, os envolvidos poderão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Foram apreendidos veículos de luxo, valores em dinheiro, documentos e equipamentos eletrônicos que subsidiarão o aprofundamento das investigações. A 5ª Vara Federal em Santos expede os mandados, evidenciando a abrangência federal da operação. MC Ryan SP, outro artista, também foi preso em Bertioga, no litoral paulista.
A defesa de Poze informou que o cantor desconhecia o teor do mandado e que se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar esclarecimentos ao Poder Judiciário. O advogado Fernando Henrique Cardoso Neves declarou que a defesa acessará os autos para tomar as medidas judiciais cabíveis.
Esta é a terceira vez que Poze enfrenta prisão em menos de uma década. No ano passado, foi detido pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes pela Polícia Civil do Rio por apologia ao crime e envolvimento com tráfico de drogas. Naquela ocasião, investigadores apontaram que o cantor realizava shows exclusivamente em áreas dominadas pelo Comando Vermelho, com presença ostensiva de traficantes armados com fuzis.
A delegacia especializada afirmou que o repertório de Poze “faz clara apologia ao tráfico de drogas e ao uso ilegal de armas de fogo”. Segundo a investigação, os shows eram utilizados pela facção para aumentar lucros com venda de entorpecentes, revertendo recursos para compra de drogas, armas e equipamentos criminosos necessários às atividades ilícitas.
Poze foi solto em junho após habeas corpus concedido pela Justiça. A prisão anterior havia ocorrido em 29 de maio. A Polícia Civil reforçou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e os financiadores diretos dos eventos criminosos.
Em 2019, o MC foi preso em flagrante em Sorriso, Mato Grosso, após show em boate a 420 quilômetros de Cuiabá. Policiais encontraram menores consumindo bebida alcoólica, maconha e cocaína no local. Pelo menos 40 adolescentes foram encaminhados ao Conselho Tutelar, e três homens foram presos como organizadores.
As operações sucessivas contra Poze refletem a estratégia intensificada das autoridades brasileiras contra esquemas de lavagem de dinheiro associados a organizações criminosas, particularmente aqueles que envolvem artistas populares na movimentação de recursos ilícitos.