Rio vira palco central de articulação conservadora
Aliança liderada por Flávio Bolsonaro confirma aliado de Altineu ao governo do Rio de Janeiro e define bloco conservador para 2026

Em uma articulação política que antecipa o cenário eleitoral de 2026, o Partido Liberal (PL) confirmou o nome do secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas, como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro. A decisão foi tomada durante reunião em Brasília nesta terça-feira, com a presença do senador Flávio Bolsonaro, do deputado federal Altineu Côrtes e do governador Cláudio Castro.

O encontro também definiu a formação de uma aliança com PP e União Brasil, ampliando a base conservadora no estado. O objetivo central é construir um palanque robusto no berço político da família Bolsonaro, reunindo partidos com forte presença municipal e amplo tempo de propaganda eleitoral.

Além disso, a composição prevê que o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP), será candidato a vice-governador. Já a disputa ao Senado contará com Castro, caso permaneça elegível, e com o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil).

A aliança costurada pelo PL busca capitalizar a influência política em cidades estratégicas da Região Metropolitana. PL, PP e União Brasil concentram o maior número de prefeituras no estado, o que amplia a capilaridade eleitoral e fortalece a mobilização territorial.

Douglas Ruas, aliado direto de Altineu Côrtes, tem base política em São Gonçalo, terceiro maior colégio eleitoral do estado. A região, assim como Itaboraí, constitui reduto importante do deputado federal. Já Rogério Lisboa agrega força na Baixada Fluminense, especialmente em Nova Iguaçu.

Márcio Canella, por sua vez, reforça o peso de Belford Roxo na composição. A estratégia pretende unificar lideranças locais e ampliar o alcance da chapa em áreas periféricas, onde a presença do Estado costuma ser insuficiente.

Embora o discurso priorize segurança pública e gestão eficiente, especialistas observam que a ausência de propostas estruturais para redução das desigualdades pode limitar o alcance social do projeto.

Disputa pelo Senado e renúncia antecipada ao governo

O acordo político prevê que Cláudio Castro disputará uma vaga no Senado Federal. Para isso, ele deverá renunciar ao cargo até o início de abril, abrindo caminho para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O novo governador cumprirá mandato tampão até o fim do ano.

Antes da renúncia, porém, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomará o julgamento do caso Ceperj, marcado para 10 de março. A decisão pode cassar o mandato de Castro e torná-lo inelegível, o que adiciona incerteza ao cenário.

Segundo participantes da reunião, o nome que disputará a eleição indireta será anunciado mais próximo do prazo. Castro tenta emplacar o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, enquanto Flávio Bolsonaro e o grupo de Altineu defendem que Douglas Ruas assuma o governo interinamente.

A estratégia busca dar vantagem eleitoral a Ruas. Caso ele assuma o Palácio Guanabara antes da campanha, terá visibilidade institucional e controle da máquina administrativa, fatores considerados decisivos em disputas estaduais.

A eleição indireta para o governo pode desencadear disputas judiciais. Aliados do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), avaliam recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir a candidatura de nomes ligados ao governo na votação da Alerj.

Sem vice-governador, a saída de Castro cria um vácuo de poder que exige solução rápida. A legislação prevê que os 70 deputados estaduais escolham um governador provisório. No entanto, interpretações divergentes sobre as regras podem gerar judicialização e prolongar a instabilidade política.

Castro afirmou que a base governista buscará “segurança jurídica” antes de definir o substituto. Segundo ele, o cenário administrativo do estado é “extremamente desafiador”, argumento que tenta frear a pressa por uma definição.


Segurança pública domina discurso

Após ser confirmado como pré-candidato, Douglas Ruas declarou que a segurança pública será o eixo central de sua campanha. Inspetor concursado da Polícia Civil e ex-secretário de Cidades, ele defende políticas de endurecimento penal e reforço das forças de segurança.

O foco na repressão ao crime encontra apoio em setores da sociedade, especialmente em regiões marcadas pela violência. Contudo, pesquisadores e movimentos sociais alertam que soluções duradouras exigem investimento em educação, políticas sociais e urbanização de territórios vulneráveis.

Ainda assim, o discurso punitivista tende a ganhar espaço em contextos de medo coletivo. Nesse cenário, propostas de prevenção e inclusão social enfrentam maior dificuldade para mobilizar o eleitorado.

A entrada do PP e do União Brasil na aliança com o PL altera o equilíbrio de forças no estado. Rogério Lisboa, que chegou a ser cogitado como vice em uma chapa liderada por Eduardo Paes, migrou para o campo bolsonarista após dificuldades do PSD em garantir apoio do PP.

A movimentação evidencia a fluidez das alianças políticas no Rio. Embora o acordo atual fortaleça o bloco conservador, analistas avaliam que novas negociações podem ocorrer até o início oficial da campanha.

Por ora, o PL busca consolidar uma frente ampla à direita, enquanto setores progressistas discutem alternativas capazes de enfrentar a desigualdade social e ampliar o acesso a serviços públicos essenciais.

A articulação liderada por Flávio Bolsonaro projeta o Rio de Janeiro como peça-chave na disputa presidencial de 2026. O estado reúne grande eleitorado, forte exposição midiática e desafios estruturais que influenciam o debate nacional.

Enquanto a direita aposta em segurança e endurecimento penal, correntes progressistas defendem políticas voltadas à redução das desigualdades e ao fortalecimento do Estado social. O confronto entre essas visões deve marcar o debate público nos próximos meses.

Nesse contexto, a definição da chapa do PL não apenas antecipa a corrida eleitoral, mas também expõe projetos distintos de sociedade. O eleitor fluminense, diante desse cenário, terá papel decisivo na escolha dos rumos políticos do estado e do país.

Com informações do O GLOBO*

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