PL define Douglas Ruas ao governo do RJ e lança Castro ao Senado
União entre PL, PP e União Brasil amplia influência regional e antecipa eleições em áreas estratégicas como Baixada e Leste Metropolitano
O senador Flávio Bolsonaro anunciou nesta terça-feira, 24, a chapa que o Partido Liberal (PL) apoiará nas eleições de 2026 no Rio de Janeiro. A definição coloca o secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas, como candidato ao governo do estado. Ao mesmo tempo, o atual governador Cláudio Castro e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, disputarão vagas no Senado Federal.
A composição inclui ainda o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP), como candidato a vice-governador. O anúncio consolida uma aliança entre PL, PP e União Brasil, ampliando o campo conservador no estado e antecipando o debate político.
Segundo Flávio, a escolha reflete uma estratégia de alinhamento ideológico e composição partidária. “Dessa forma, eu quero sinalizar também para todo o restante do país que eu pretendo sempre trazer pessoas que tenham alinhamento político conosco, mas também trazem essa experiência e atendem a composição partidária, porque eu acredito muito na política como uma forma de a gente compor e resolver os problemas do país”, declarou após o anúncio.
Chapa busca equilíbrio entre experiência e renovação
A formação da chapa combina nomes com trajetórias distintas. Douglas Ruas representa a renovação dentro do PL, enquanto Rogério Lisboa agrega experiência administrativa na Baixada Fluminense. Cláudio Castro, por sua vez, tenta capitalizar a visibilidade do cargo para viabilizar sua eleição ao Senado.
Flávio destacou o caráter coletivo da decisão. “É assim, com conversa, com pessoas experientes, experimentadas, corajosas, todos aqui saindo da sua zona de conforto para ir disputar um espaço e se submeter à vontade do povo. Portanto, é uma chapa que eu estou muito confiante que vai, a partir de agora, oficialmente, começar a fazer a pré-campanha. A gente está preparando já uma data para fazer um evento no Rio de Janeiro, para fazer o lançamento oficial de todas essas candidaturas ainda em março“, acrescentou.
A estratégia busca ampliar o alcance eleitoral em regiões populosas, como a Baixada Fluminense e o Leste Metropolitano. No entanto, analistas avaliam que o foco em alianças partidárias não substitui a necessidade de propostas concretas para enfrentar desigualdades históricas.
Senado vira peça-chave na estratégia do PL
A decisão de lançar Cláudio Castro e Márcio Canella ao Senado revela a importância estratégica da Casa Legislativa para o projeto político do PL. O partido pretende ampliar sua influência nacional e fortalecer pautas ligadas à segurança pública e ao endurecimento penal.
Castro deverá deixar o governo para disputar o cargo, movimento que pode gerar instabilidade administrativa. Sem vice-governador, a saída abre caminho para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), responsável por escolher um governador tampão.
Esse cenário levanta preocupações sobre continuidade de políticas públicas. Organizações da sociedade civil defendem transparência no processo e garantias de manutenção de programas sociais.
Discurso inclusivo e tentativa de ampliar diálogo
Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro afirmou nas redes sociais que gostaria de contar com “todas, todos, todes, todys e todXs” para vencer a eleição. A declaração chamou atenção por utilizar termos associados à linguagem neutra, frequentemente adotada por movimentos de esquerda e por ativistas da comunidade LGBT.
“Tá todo mundo querendo vencer a discussão. Mas o que precisamos é ganhar a eleição! Gostaria de contar com todas, todos, todes, todys e todXs!”, escreveu o senador no X.
A iniciativa foi interpretada como tentativa de ampliar o diálogo com públicos historicamente distantes do bolsonarismo. Ainda assim, especialistas apontam que gestos simbólicos precisam vir acompanhados de políticas públicas inclusivas para gerar confiança real.
