Enel anuncia pacote bilionário para modernizar rede elétrica no Rio
Plano prevê expansão, digitalização e reforço estrutural até 2027

A Enel Brasil anunciou um investimento de R$ 6,1 bilhões para modernizar e ampliar a rede elétrica no estado do Rio de Janeiro entre 2025 e 2027. O anúncio marca uma das maiores iniciativas regionais da concessionária e integra a estratégia nacional voltada ao fortalecimento da infraestrutura energética e à transição para fontes mais sustentáveis.

O plano prioriza três frentes principais: aumento da capacidade do sistema, digitalização da rede e reforço operacional. Além disso, a empresa busca tornar o fornecimento mais resiliente diante de eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes. Segundo o site Agenda do Poder, o valor destinado ao estado supera em mais de cinco vezes a média anual aplicada pela concessionária na área de concessão fluminense nos últimos seis anos.

Esse volume inédito de recursos indica uma mudança de postura diante das críticas recorrentes sobre a qualidade do serviço. Ao mesmo tempo, sinaliza a tentativa de alinhar o Rio às demandas de um sistema elétrico mais moderno e eficiente.


Investimento recorde e expansão da infraestrutura

O planejamento inclui a construção e ampliação de subestações e a instalação de mais de 170 quilômetros de novas linhas de alta tensão. Também prevê a substituição de 312 quilômetros de redes de média tensão e a inspeção de mais de 120 mil quilômetros da rede existente. Essas ações buscam reduzir falhas, aumentar a estabilidade do sistema e melhorar o atendimento à população.

Entre os projetos estratégicos estão as subestações SED Pádua, SED Porto do Carro e SED Arraial do Cabo, além do complexo SED/LDAT Açu. O plano também contempla reforços estruturais em Paraty, na Região dos Lagos, no Noroeste Fluminense e na Região Metropolitana.

Essas intervenções devem beneficiar tanto áreas urbanas quanto regiões historicamente negligenciadas. Dessa forma, o investimento pode contribuir para diminuir desigualdades no acesso a serviços essenciais, um problema estrutural que afeta sobretudo municípios periféricos.


Integração institucional e resposta a eventos climáticos

A concessionária mantém operação permanente junto ao Centro de Gerenciamento de Riscos e Emergências do Governo do Estado. A articulação envolve a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e outros órgãos públicos, o que permite respostas mais rápidas em situações críticas.

O Plano de Contingência inclui salas de cooperação com prefeituras e a priorização de serviços essenciais durante eventos climáticos severos. Hospitais, unidades de segurança e sistemas de abastecimento de água recebem atenção prioritária. Essa integração busca reduzir impactos sociais e econômicos causados por interrupções prolongadas.

Com as mudanças climáticas intensificando temporais e ondas de calor, a confiabilidade do sistema elétrico tornou-se uma questão de segurança pública. Nesse contexto, o reforço da coordenação institucional surge como medida necessária para proteger a população mais vulnerável.


Eficiência energética e ações sustentáveis

No campo da sustentabilidade, a empresa informou que 261 mil clientes foram beneficiados por iniciativas implementadas em 2025 no estado. Os projetos receberam R$ 32 milhões em investimentos e resultaram em economia de 3.500 MWh.

As ações incluíram a substituição de 50 mil lâmpadas por modelos de LED e a troca de 500 geladeiras antigas por equipamentos mais eficientes. Essas medidas reduzem o consumo de energia e aliviam o orçamento de famílias de baixa renda, que destinam parcela significativa da renda às contas básicas.

Além disso, a companhia afirmou ter apoiado centenas de projetos culturais e esportivos nos últimos anos, com investimentos superiores a R$ 370 milhões. Embora essas iniciativas fortaleçam a presença institucional da empresa, especialistas defendem que políticas públicas estruturais devem acompanhar tais ações para garantir impacto duradouro.


Expansão operacional e geração de empregos

O plano prevê a contratação de 2 mil profissionais até o final de 2026. A medida inclui o fortalecimento da Escola de Eletricistas e a ampliação da automação da rede, com equipamentos de operação remota e sistemas de telecontrole.

A modernização também alcança o atendimento ao consumidor. Segundo a empresa, 73 lojas foram reformadas e o serviço telefônico passou por melhorias. O sistema agora envia alertas climáticos aos consumidores, permitindo que se preparem para possíveis interrupções.

A geração de empregos e a qualificação profissional podem impulsionar a economia local. Contudo, especialistas alertam que é essencial garantir condições dignas de trabalho e evitar terceirizações precárias, prática comum no setor elétrico.


Parceria estratégica com Maricá

Paralelamente ao plano estadual, a Enel firmou uma parceria público-privada com a Prefeitura de Maricá para desenvolver um programa específico de modernização e expansão da rede elétrica no município. A iniciativa envolve diálogo direto entre o presidente da Enel, Francesco Moliterni, e o prefeito Washington Quaquá.

De acordo com Moliterni, a proposta é elaborar um plano de investimentos conjunto entre a concessionária e a Prefeitura, com foco na atualização da infraestrutura elétrica da cidade. O objetivo é preparar a rede para sustentar novos investimentos considerados robustos, especialmente nos segmentos industrial, logístico e turístico.

Segundo Quaquá, a parceria é fundamental para melhorar os serviços e permitir que projetos estratégicos sejam discutidos previamente, com definição de prioridades e cronograma de ações. O planejamento conjunto avaliará as necessidades específicas do município, incluindo reforço de capacidade, melhoria da distribuição e possíveis ampliações estruturais.


Desafios históricos e expectativas da população

Apesar do anúncio bilionário, moradores do estado ainda convivem com quedas frequentes de energia e demora no restabelecimento do serviço. Em bairros periféricos e regiões rurais, a precariedade da rede afeta diretamente a qualidade de vida e a atividade econômica.

Nesse cenário, o plano da Enel gera expectativas, mas também desconfiança. A população espera que os investimentos se traduzam em melhorias concretas, especialmente nas áreas mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, cresce a pressão por maior fiscalização dos órgãos reguladores e transparência na execução das obras.

Se implementadas com eficiência e controle social, as medidas podem representar um passo importante para reduzir desigualdades e fortalecer a infraestrutura energética do Rio. Caso contrário, o risco é perpetuar um histórico de promessas que não se concretizam plenamente.

Tagged: , , , ,