Cláudio Castro anuncia saída do governo
Governador confirma pré-candidatura ao Senado e antecipa cenário de 2026
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou nesta terça-feira (24) que deixará o comando do Palácio Guanabara em abril para disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. A decisão, divulgada nas redes sociais após reunião com lideranças do Partido Liberal, acelera a reorganização política no estado e sinaliza uma disputa antecipada pelo poder.
O movimento ocorre em meio a um cenário de tensão institucional e incertezas jurídicas. No dia 10 de março, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá divulgar uma ação relacionada ao caso Ceperj que poderá, além de cassar o mandato eletivo, deixar o governador inelegível para o pleito deste ano. Ainda assim, Castro decidiu avançar com o projeto político e anunciou os nomes que representarão seu grupo nas eleições estaduais e federais.

A decisão também reforça a estratégia da direita fluminense de consolidar palanques regionais alinhados ao projeto nacional liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República. Com isso, o Rio se torna peça-chave na articulação eleitoral conservadora.
Para a sucessão estadual, o grupo escolheu o deputado estadual Douglas Ruas (PL), que também atuou como secretário das Cidades durante a atual gestão. Filho de Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo — o maior colégio eleitoral do estado —, Ruas representa uma aposta em renovação política aliada à força de bases locais consolidadas.
Para compor a chapa como vice-governador, o escolhido foi Rogério Lisboa (Progressistas), ex-prefeito de Nova Iguaçu. Com trajetória como vereador, deputado estadual e deputado federal, Lisboa agrega experiência administrativa e trânsito político. Ele é aliado do deputado Dr. Luizinho e possui forte influência na Baixada Fluminense.
Segundo Castro, a composição une “a força da juventude e a experiência política”. A estratégia busca dialogar com diferentes perfis do eleitorado, sobretudo em regiões metropolitanas e periféricas, onde demandas por serviços públicos e segurança são mais urgentes.
Disputa ao Senado reúne nomes influentes na Baixada Fluminense
Na corrida pelo Senado, além do próprio Castro — caso mantenha a elegibilidade —, o grupo indicou o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil). A escolha reforça o peso político da Baixada Fluminense nas articulações eleitorais.
Canella construiu sua trajetória em uma região marcada por desigualdades sociais e carência de investimentos públicos. Sua presença na chapa sinaliza a tentativa de ampliar a base eleitoral em áreas historicamente negligenciadas pelo poder público estadual.
A composição também demonstra uma aliança pragmática entre partidos de direita e centro-direita. Esse arranjo busca garantir capilaridade política e fortalecer o discurso de segurança pública, tema recorrente nas campanhas do campo conservador.
Em publicação nas redes sociais, Castro afirmou que a decisão representa “um dia decisivo para o futuro do povo do nosso estado e do país”. Ele reforçou que a direita apresentará um projeto focado no combate à criminalidade e no endurecimento das leis penais.
O governador destacou a importância de uma representação forte no Senado para avançar em pautas ligadas à segurança pública. No entanto, especialistas apontam que políticas baseadas apenas no endurecimento penal tendem a ignorar fatores estruturais da violência, como desigualdade, falta de acesso a serviços e ausência de políticas sociais.
Ainda assim, o discurso encontra eco em parcelas da população que convivem diariamente com a insegurança. Por outro lado, movimentos sociais defendem uma abordagem mais ampla, que combine prevenção, investimento em educação e fortalecimento de políticas públicas nas periferias.
Com a saída prevista para abril, a movimentação antecipa o cenário eleitoral no estado e consolida o alinhamento do grupo fluminense com o projeto nacional liderado por Flávio Bolsonaro dentro do PL. A articulação busca fortalecer candidaturas regionais e construir uma base sólida para a disputa presidencial.
Esse reposicionamento também pressiona outras forças políticas a acelerar definições. Partidos de centro e esquerda observam o avanço das articulações e devem intensificar debates internos para apresentar alternativas ao eleitorado fluminense.
Além disso, a antecipação do calendário político evidencia a crescente influência das redes sociais na dinâmica eleitoral. O anúncio direto ao público, sem mediação institucional, reforça a personalização da política e a centralidade das lideranças.
Incertezas jurídicas e impacto na governabilidade
Apesar do anúncio, o futuro político de Castro depende da decisão do TSE sobre o caso Ceperj. A possibilidade de cassação ou inelegibilidade adiciona um elemento de instabilidade ao cenário. Caso isso ocorra, o tabuleiro eleitoral poderá sofrer mudanças significativas.
Enquanto isso, a transição no governo estadual levanta preocupações sobre continuidade administrativa. A saída antecipada do governador exige coordenação para evitar descontinuidade de políticas públicas, especialmente em áreas sensíveis como saúde, educação e segurança.
Organizações da sociedade civil defendem maior transparência nesse processo. Elas cobram compromissos claros com a manutenção de programas sociais e investimentos em regiões vulneráveis.
O anúncio de Castro projeta o Rio de Janeiro como um dos principais palcos da disputa política nacional em 2026. O estado, marcado por desigualdades históricas e desafios estruturais, torna-se terreno estratégico para diferentes projetos de país.
Enquanto a direita aposta no discurso de segurança e ordem, setores progressistas defendem políticas voltadas à redução das desigualdades e ao fortalecimento dos serviços públicos. Nesse contexto, o eleitor fluminense terá papel decisivo na definição dos rumos políticos.
A movimentação antecipada evidencia que a corrida eleitoral já começou, mesmo antes do calendário oficial. Nos próximos meses, alianças, decisões judiciais e pressões sociais devem moldar um cenário ainda em aberto — e profundamente impactante para o futuro do estado.
