Águas do Rio é cobrada por falta de água potável no Jardim Gramacho, e moradores recorrem a poços
A deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) denunciou a falta de água potável no Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, e cobra providências da concessionária Águas do Rio para garantir o abastecimento regular à população.
Moradores do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, seguem enfrentando dificuldades no acesso à água potável e, diante da irregularidade no abastecimento, recorrem a poços, nascentes e caminhões-pipa para suprir necessidades básicas. A situação motivou a deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) a encaminhar, em novembro do ano passado, a Indicação 6105/2025 à Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar (Seenemar), à Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) e à concessionária Águas do Rio, solicitando providências urgentes e articuladas para garantir o direito à água no bairro.
O pedido da parlamentar tem como base pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), que aponta grave violação do direito humano à água e ao saneamento básico no território. Segundo o estudo, 62,3% dos moradores sofrem com falta d’água, e mais da metade não utiliza a rede geral de abastecimento. Além disso, 22,2% das residências não estão ligadas à rede de esgoto, cenário que contribui para a incidência de doenças associadas às condições ambientais.
Para Dani Balbi, o quadro mantém a população em situação de vulnerabilidade extrema, mesmo mais de uma década após o fechamento do antigo aterro sanitário da região. A deputada defende a regularização imediata do abastecimento, a elaboração de um plano emergencial para as áreas mais afetadas e a realização de investimentos estruturais de médio e longo prazo, com diálogo permanente com a comunidade. A parlamentar também colocou o mandato à disposição para acompanhar e colaborar com as medidas necessárias.
Águas do Rio diz que a região do Jardim Gramacho é considerada área de risco
No dia 9 de dezembro de 2025, a Agenersa solicitou esclarecimentos à concessionária Águas do Rio com base na denúncia apresentada pela deputada. Em resposta, no dia 23 de dezembro, a empresa afirmou que a região está em fase de “implementação segura e gradual” de adaptações operacionais e regulatórias previstas no Plano Diretor de Água (PDA) do município.
A concessionária argumentou ainda que parte do Jardim Gramacho é considerada área de risco, o que imporia desafios adicionais à prestação do serviço. Segundo a empresa, furtos de cabos, intervenções indevidas na rede e alterações não autorizadas nas manobras por terceiros têm comprometido a regularidade do fornecimento.
“A estrategia é sempre a mesma, dizer que está cumprindo com sua função e responsabilizar a população e o território pelos problemas”, diz um morador que não quis ser identificado.
No documento, a Águas do Rio informou que vem realizando investimentos conforme previsto no contrato de concessão, incluindo a implantação de boosters para aumento da pressão da rede, recuperação e modernização de reservatórios estratégicos, adoção de tecnologias de monitoramento e a ativação de 17 quilômetros de rede, o que, segundo a empresa, ampliou a cobertura e melhorou a distribuição hidráulica na região. Ao final, a concessionária solicitou o arquivamento do processo e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos.
A resposta, contudo, não convenceu a deputada. Dani Balbi afirmou que continuará buscando outros caminhos legislativos e jurídicos para cobrar a regularização do abastecimento de água potável no Jardim Gramacho, sustentando que o acesso à água é um direito fundamental e não pode ser tratado como medida gradual diante da gravidade da situação vivida pelos moradores.
