Inteligência artificial pode revolucionar o orçamento do SUS, aponta estudo
Um estudo publicado na revista Princípios aponta que o uso de inteligência artificial no SUS pode revolucionar o planejamento orçamentário, tornando a gestão mais eficiente, transparente e capaz de reduzir desigualdades na saúde pública.
Um artigo publicado na revista Princípios propõe uma transformação na forma como o orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS) é planejado e executado no Brasil. A pesquisa, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), apresenta um modelo inovador baseado em inteligência artificial capaz de prever e classificar gastos hospitalares, com potencial para aumentar a eficiência e a transparência na aplicação dos recursos públicos.
O estudo parte de um problema estrutural: a complexidade da gestão orçamentária em um sistema descentralizado, que envolve União, estados e municípios. Com base em dados do Datasus entre 2022 e 2024, os autores – Anderson do Nascimento Oliveira, Maksandro José de Souza, Ronald dos Santos Oliveira, José Barbosa de Araújo Neto, Thiago Vasconcellos Modenesi e Wellington Pinheiro dos Santos – desenvolveram modelos de aprendizado de máquina capazes de identificar padrões nos gastos com internações hospitalares, uma das áreas mais sensíveis do financiamento da saúde.
Entre os resultados, destaca-se o desempenho de diferentes algoritmos. O modelo Naïve Bayes apresentou alta capacidade de classificação dos gastos, enquanto redes neurais do tipo Multi-Layer Perceptron (MLP) se mostraram mais precisas na previsão de custos futuros. Segundo os pesquisadores, essas ferramentas permitem reduzir erros e antecipar demandas, contribuindo para uma alocação mais racional dos recursos.
A pesquisa também evidencia as profundas desigualdades regionais no acesso à saúde no Brasil. Regiões menos desenvolvidas dependem majoritariamente do SUS, concentrando a maior parte dos leitos e profissionais, enquanto áreas mais ricas contam com maior presença de planos privados. Nesse contexto, o uso de tecnologias preditivas pode ajudar a direcionar investimentos de forma mais equitativa.
Para os autores, o chamado “orçamento inteligente” não substitui decisões políticas, mas qualifica o processo de gestão pública ao oferecer evidências mais robustas. Ao contrário de visões que defendem a redução do Estado, o estudo argumenta que o uso de inteligência artificial pode fortalecer o papel estatal, ampliando a capacidade de garantir serviços universais e de qualidade à população.
